Foi assim: o encontrei caído no chão, com o aspecto doentio, mal acabado, podre; rachaduras expunham seu interior branco. Apanhei-o e, como de costume, cheirei. E apesar da aparente morte da fruta, o perfume meio doce, meio cítrico se mantinha. Então de repente fiquei pequeno, mais menino. Retornei à casa do meu avô, em Araruama, onde passava minhas férias de verão e tomava o suco dos cajus que tirávamos do alto do cajueiro no meio das tardes quentes. Eu era feliz.
Nunca experimentei dar uma mordida no caju - prevenido do seu gosto amargo. Mas o cheiro... Ah, como eu gosto do cheiro do caju! Não pela metamorfose que ele permite que eu faça: é a garantia de que também eu terei um futuro, ainda que meu corpo e minha alma tragam marcas profundas de experiências não muito agradáveis; é a constatação de que a Esperança existe.A minha memória é confusa, muito do que de fato vivi se misturou à fantasia. No entanto a força do caju permaneceu intacta - tal qual os cajueiros da casa do meu avô e da minha, que embora tomados pela praga, ainda produzem sua fruta.
Até tombarem, como nós.

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ResponderExcluirNa minha infância o caju e o
seu pau-de-criação também fi-
zeram parte.
Belo texto.
silvioafonso
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KKKKKKKKKK. Levou muita porrada, foi?
ExcluirÔ, garoto levado!
Na minha infancia tinhamos um abacateiro,
ResponderExcluirno qual vivia forrado de lagartas...Argh!
Eu odiava, tinha medo que elas caissem em minha cabeça.
Mas o abacate, hummm...misturado com leite em pó,
parecia fruta dos deuses...Adorei voltar em minhas
lembranças...Abraços
Do abacate eu só gosto quando é vitamina. Puro é intragável. Já o meu cabelo adora...
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