Powered By Blogger

Páginas

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ILUSÕES




"Eu não queria que o dia terminasse sem que, antes, eu tivesse algo concreto em que apoiar o resto da minha vida" - eis um pensamento recorrente que me vem ao coração quando chega a hora de ir para a cama e (tentar) dormir. Quase sempre me deixo ir de mãos vazias - e quando elas estão cheias, vejo, no dia seguinte, que por algum descuido permiti que as ilusões recém-adquiridas se esvaíssem.
Gostaria de ter menos tempo para escrever em blogs e estar no mundo: por que aceitei essa humilhante condição de prisioneiro, que me condicionou a ponderar bastante antes de colocar o nariz para fora de casa? Em algum instante do meu passado fiz uma escolha muito errada, disse um "não" enviesado, inoportuno. Mas quando foi isso? E por que foi assim? Serviu para quê? Para eu moldar a cinzel um olhar particular a respeito dos outros? Para eu possuir a calma e o silêncio necessários à auto-comporeensão? Essa vida de monge tibetano há um bom tempo me angustia, me entulha o pensamento de incertezas. Por outro lado, uma vida de badalações e redes sociais corpo a corpo não me atrai. Festas em que só conheço o anfitrião também não. Que coisinha sou eu, afinal, que não me assento em nenhuma situação humana?
O que pensava que queria há dez minutos, já não quero mais. O que achava que sabia, um simples refletir durante o lanche da tarde já me mostra que na verdade eu não sabia - e nem saberei.
Quando os primeiros sons de um começo de dia chegam aos meus ouvidos e sem querer querendo me despertam, é como se eu, ali, tivesse acabado de sair do útero quentinho: estou de novo na mais profunda estaca-zero que um sujeito pode se dar ao luxo de estar.
No mais: navegar é preciso. Então começo a catar em toda parte a mais nova e passageira ilusão.

3 comentários:

  1. Que bom poder comentar...Sempre te lia, mas ao procurar o local de comentarios, me entristecia...Não quero criticar,nem bajular, apenas interagir contigo. Me vi em teu texto e digo:"... me enclausurei em meu pequeno mundo tambem, minha vidinha feliz de um cotidiano tranquilo. Mas as vezes, sinto falta da balburdia,das vozes me engolindo, sufocando, do cheiro e da fumaça dos fumantes, do zunir da musica alta(contemporanea), dos beijos e abraços perdidos numa noite entediante...Acordo!Vejo que era apenas um sonho. Me encolho, fecho-me como numa concha e retorno ao meu sono tranquilo cheio de Paz, acompanhado de mim mesmo! Que bom!"Deixo aqui meu abraço...deixe esse espaço e faça como eu, aprenda a conviver com o contrário de nós!

    ResponderExcluir
  2. Olá, Simone.
    Fico muito feliz em saber que os meus textos de certa forma dialogam com outras pessoas. Isso quer dizer que na verdade somos todos iguais, somos almas simples, que por alguma razão inexplicável complicam tudo - inclusive a vida. Sabe, eu às vezes penso que o fato de estar deliberadamente enclausurado pode não ser uma coisa ruim de todo. Alguns se trancam por temer o mundo, as pessoas; outros, simplesmente por não se identificarem com a realidade do mundo exterior. Quem pode dizer que o enclausurado é menos feliz que aquele que não para em casa? Talvez a imagem que se faça de uma pessoa "fechada como uma ostra" seja de tristeza, mas nem sempre é assim. Eu falo por mim e te digo: sou muito livre. Para ficar em casa por semanas ou sair todos os dias.
    Grande abraço e muito obrigado por comentar o meu post. Vote sempre, pois será um prazer tê-la aqui (mesmo que você não queira comentar nada, apenas ler o que escrevi). Até o próximo post.

    ResponderExcluir
  3. Rodrigo,
    essa frase me cala:
    "Então começo a catar em toda parte a mais nova e passageira ilusão."

    Linda e absolutamente parte de nós todos.
    Bjns entre sonhos e delírios

    ResponderExcluir