Naquele dia o menino completaria três anos de tratamento na clínica especializada em cuidar de crianças autistas. Mas por que, então, Patrícia não percebia qualquer sinal de melhora no comportamento do filho?
A clínica fora uma indicação e parecia ter conseguido se solidificar, após 12 anos de funcionamento. Intrigada, a mulher resolveu investigar. Não demorou muito para averiguar que nenhuma criança das que conhecia tivera um avanço no tratamento.
Utilizando-se dos seus conhecimentos como delegada, imediatamente entrou em contato com a Delegacia do Consumidor (Decon) . Uma semana depois uma outra mulher sentava à frente da psicóloga fundadora da clínica. Gostaria de saber como deveria proceder para que fosse iniciado o tratamento do seu filho caçula. Fingindo excesso de zelo, alegando os constantes casos de fraude na medicina, pediu que a psicóloga lhe apresentasse o seu registro profissional. Imediatamente foi atendida.
A psicóloga parecia bastante segura, profissional. E sequer desconfiava de que na verdade estava sendo filmada. Dizia que, mesmo sem conhecer a criança, podia garantir à mãe que o tratamento do seu filho deveria ser feito por três horas, todos os dias da semana. O valor do tratamento? R$90,00 por hora.
Ela foi presa em flagrante. Depois, indiciada por estelionato, propaganda enganosa e exercício ilegal da profissão.
Mas essa história não acaba aí: três dias depois da prisão ela foi liberada graças a um habeas corpus concedido pela (in) Justiça.
Beatriz da Silva Cunha, a falsa psicóloga, afirmava que era pós-graduada com especialização no tratamento de crianças autistas, mas as investigações apontam que ela sequer concluiu a graduação.
O mesmo processo de investigação, coordenado pelo delegado Maurício Almeida, encontrou provas de que Beatriz também torturava os seus "pacientes", imobilizando-os, amarrando pernas e braços para fazer com que elas comessem. Em alguns casos, cobria a boca das crianças para que elas não cuspissem a comida.
Uma funcionária afirmou que, segundo Beatriz, o propósito era que as crianças não melhorassem e que os pais, desesperados com a condição dos seus filhos, se eternizassem pagando as consultas. Muitos destes pais, chegaram a vender bens valiosos, como apartamentos, carros e joias para continuarem o tratamento.
Mas por que estou a falar sobre isso?
Simples: porque me lembrei que existem pessoas capazes de enganar, de trapacear, de iludir seus semelhantes. E sem pena - com prazer, até.
Nunca fui vítima de nada tão serio. Só que nada me tira da cabeça um "ainda", que insiste em martelar, como se ser enganado seriamente fosse apenas uma questão de tempo.
Duas coisas me fizeram também, no dia de hoje, pensar nesse assunto: o primeiro foi que no banco, uma moça barriguda que estava na fila do caixa, ao ver que a fila preferencial, do outro lado, esvaziara, saltou de uma para a outra valendo-se da (falsa) "desculpa" de que estava grávida. Fraude: era pura banha!
A segunda foi que uma amiga minha, escritora, postou no seu blog o quanto lhe doera ao se ver apunhalada pelas costas por um precioso amigo que, após torturar-lhe todas as noites com frases aparentemente inocentes e amigas, mas carregadas de maldade, que a faziam desabar aos prantos na cama, tratou de tripudiar do sério problema que enfrentava com um familiar e, com isso, levá-la à completa decepção.
Fico me perguntando: estamos mesmo irremediavelmente cegos, vulneráveis à essas mentes perversas que nos cercam, nos adulam, nos comovem com seus gestos de atenção e carinho, quando na verdade nos preparam alguma armadilha que os beneficie - ou até mesmo nos conduzem gratuitamente ao sofrimento, como se fôssemos objetos para o seu deleite?
Não sei. Entretanto tive ao meu lado pessoas que não gostavam de mim - e que apesar disso sorriam à minha presença, me elogiavam, diziam-se minhas amigas. Porém eu sempre soube quem elas eram pois, afinal, embora igualmente perversas, não chegavam a ser psicopatas. Não tinham o talento de um. De modo que logo pude ver a sua verdadeira face. E continuei ao seu lado, também eu fingindo acreditar naquela farsa, forçando sua inteligência, esgotando-lhe toda a capacidade de mentir. É claro que não tendo qualquer vínculo, como escola, cursinho etc, essas pessoas sumiram da minha vida.
E então fui eu quem se divertiu.
Só que a pergunta que não quer calar é: até quando?
Utilizando-se dos seus conhecimentos como delegada, imediatamente entrou em contato com a Delegacia do Consumidor (Decon) . Uma semana depois uma outra mulher sentava à frente da psicóloga fundadora da clínica. Gostaria de saber como deveria proceder para que fosse iniciado o tratamento do seu filho caçula. Fingindo excesso de zelo, alegando os constantes casos de fraude na medicina, pediu que a psicóloga lhe apresentasse o seu registro profissional. Imediatamente foi atendida.
A psicóloga parecia bastante segura, profissional. E sequer desconfiava de que na verdade estava sendo filmada. Dizia que, mesmo sem conhecer a criança, podia garantir à mãe que o tratamento do seu filho deveria ser feito por três horas, todos os dias da semana. O valor do tratamento? R$90,00 por hora.
Ela foi presa em flagrante. Depois, indiciada por estelionato, propaganda enganosa e exercício ilegal da profissão.
Mas essa história não acaba aí: três dias depois da prisão ela foi liberada graças a um habeas corpus concedido pela (in) Justiça.
Beatriz da Silva Cunha, a falsa psicóloga, afirmava que era pós-graduada com especialização no tratamento de crianças autistas, mas as investigações apontam que ela sequer concluiu a graduação.
O mesmo processo de investigação, coordenado pelo delegado Maurício Almeida, encontrou provas de que Beatriz também torturava os seus "pacientes", imobilizando-os, amarrando pernas e braços para fazer com que elas comessem. Em alguns casos, cobria a boca das crianças para que elas não cuspissem a comida.
Uma funcionária afirmou que, segundo Beatriz, o propósito era que as crianças não melhorassem e que os pais, desesperados com a condição dos seus filhos, se eternizassem pagando as consultas. Muitos destes pais, chegaram a vender bens valiosos, como apartamentos, carros e joias para continuarem o tratamento.
Mas por que estou a falar sobre isso?
Simples: porque me lembrei que existem pessoas capazes de enganar, de trapacear, de iludir seus semelhantes. E sem pena - com prazer, até.
Nunca fui vítima de nada tão serio. Só que nada me tira da cabeça um "ainda", que insiste em martelar, como se ser enganado seriamente fosse apenas uma questão de tempo.
Duas coisas me fizeram também, no dia de hoje, pensar nesse assunto: o primeiro foi que no banco, uma moça barriguda que estava na fila do caixa, ao ver que a fila preferencial, do outro lado, esvaziara, saltou de uma para a outra valendo-se da (falsa) "desculpa" de que estava grávida. Fraude: era pura banha!
A segunda foi que uma amiga minha, escritora, postou no seu blog o quanto lhe doera ao se ver apunhalada pelas costas por um precioso amigo que, após torturar-lhe todas as noites com frases aparentemente inocentes e amigas, mas carregadas de maldade, que a faziam desabar aos prantos na cama, tratou de tripudiar do sério problema que enfrentava com um familiar e, com isso, levá-la à completa decepção.
Fico me perguntando: estamos mesmo irremediavelmente cegos, vulneráveis à essas mentes perversas que nos cercam, nos adulam, nos comovem com seus gestos de atenção e carinho, quando na verdade nos preparam alguma armadilha que os beneficie - ou até mesmo nos conduzem gratuitamente ao sofrimento, como se fôssemos objetos para o seu deleite?
Não sei. Entretanto tive ao meu lado pessoas que não gostavam de mim - e que apesar disso sorriam à minha presença, me elogiavam, diziam-se minhas amigas. Porém eu sempre soube quem elas eram pois, afinal, embora igualmente perversas, não chegavam a ser psicopatas. Não tinham o talento de um. De modo que logo pude ver a sua verdadeira face. E continuei ao seu lado, também eu fingindo acreditar naquela farsa, forçando sua inteligência, esgotando-lhe toda a capacidade de mentir. É claro que não tendo qualquer vínculo, como escola, cursinho etc, essas pessoas sumiram da minha vida.
E então fui eu quem se divertiu.
Só que a pergunta que não quer calar é: até quando?




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